sábado, 10 de outubro de 2009

Vassalo


J.C. não era um dos mais responsáveis, mas sabia, exatamente, o que fazer com suas mãos ao deslizá-las no corpo de V.. Ele olhava bem para aquela silhueta. Há tempos desejava. Hoje... a vitória. Não sabia por onde começar. V. parecia muito, apesar de pouco. Muito pelo que simbolizava. Uma das garotas que mais habitavam os sonhos de seus colegas de colégio. Muito provavelmente, era o que estimulava, também, a redundância de movimentos feitos pelas mãos dos mesmos. Pouco, porque era 54kg muito bem distribuídos em 1.68m.

Não. J.C. não precisaria mais de redundâncias. V. era sua.

Ele a mirava, procurava caminhos que o guiassem rumo ao prazer. Como se fosse preciso... Ela ali estava. Ele preparava a mão. Queria descê-la entre os cabelos de V. e, provavelmente, apertá-la. Talvez, ela até quisesse isso. Mas nesses momentos não há espaços para talvez. Ele tinha uma responsabilidade imensa. E, talvez, novamente, só por isso, aquele prazer não era mais intenso. A responsabilidade o mantinha com os pés no chão. Preso a realidade do dia seguinte. O sorriso de quem conseguiu, estampado em seu rosto. O sorriso que também deveria ser dela, ao glorificar-se por ter dado oportunidade a um relis mortal que fizesse jus a chance.

Era um emaranhado de pensamentos, responsabilidades e desejos que miravam todos ao prazer. J.C. que não era um dos mais responsáveis e decidiu começar pela boca. A sua. Que beijava a nuca de V. e, logo depois, descia sua língua pelas costas dela em movimentos tortuosos que se assemelhavam ao de uma cobra, rastejando pelo deserto, em busca do alimento, da fonte de energia e da essência vital que só a adrenalina oferece. J.C. sabia que o caminho era estimulá-la. Até o fim. E ele, assim, tentava fazer. Era meio inseguro. J.C. não era um dos mais responsáveis e isso, afinal, pesava.

Ele sabia de suas condições limitadíssimas. Ele sabia que, talvez, era aquela sua única chance de fazer diferente. De ser marcante. Sabia que de todos os amigos ele tivera a única chance. Sabia, muito bem, que poderia virar a chacota do colégio. Sabia que uma má atuação ali, poderia marcar sua vida, que seria então comer apenas putas gordas por um pouco de prazer e pela falta total de dignidade. Ele sabia que aquele momento estava limitando sua vida em a.V. e d.V.. Ele sabia...

- Ei J.. Pare de olhar para o céu. Deite aí e eu te mostro como faz.

V. arrancou as calças dele. Rasgou a sua camisa. Beijou-o até, levemente, tirar sangue. Apertou bem o que tanto ele temia ou desejava. Segurou e disse: - Você é meu hoje. Sabe que é hoje. Vai perder tempo refletindo questões metafísicas e de transcendência? Meu bem, há sim coisas entre o céu e a terra que você nem imagina, porém hoje eu quero dar pra você. Venha! E sugiro que faça deste momento eterno enquanto "dure".

J.C. não era um dos mais responsáveis. Nem um dos mais habilidosos. Talvez, nem mesmo um dos mais esclarecidos. Mas naquela noite... naquela noite, bastava ser ele: J.C..

Um comentário:

Claudia R.S disse...

Torci muito por J.C